Escrita

Como escrever a discussão dos resultados

Estrutura da discussão, como interpretar e comparar resultados com a literatura, que linguagem usar e como apresentar as limitações do estudo.

Equipa OrientIA · 2 min de leitura · Atualizado a 1 de outubro de 2026

A discussão é o capítulo onde o trabalho ganha sentido. Os resultados dizem o que encontraste; a discussão diz o que isso significa, como se relaciona com o que já se sabia e até onde podes ir nas conclusões. É também o capítulo onde mais se nota a maturidade científica de quem escreve.

Resultados ou discussão?

  • Resultados: apresentas os dados e as análises, de forma objetiva, com tabelas e figuras. Sem interpretação.
  • Discussão: interpretas esses resultados, comparas com a literatura, explicas e reconheces limites.

Algumas áreas juntam os dois num capítulo ("Resultados e discussão"). Mesmo assim, para cada resultado, primeiro mostras e depois interpretas.

Estrutura recomendada

  1. Retoma a pergunta e o resultado principal. Abre com uma síntese de uma ou duas frases do que o estudo mostrou.
  2. Interpreta cada resultado importante, por ordem de relevância (ou pela ordem dos objetivos).
  3. Compara com a literatura: confirma, contradiz ou acrescenta?
  4. Explica: que razões podem justificar o que encontraste, sobretudo os resultados inesperados?
  5. Implicações: teóricas (para o conhecimento) e práticas (para profissionais, políticas, organizações).
  6. Limitações do estudo.
  7. Sugestões para investigação futura.

Como discutir um resultado

Um padrão simples, parágrafo a parágrafo:

Resultado: O isolamento profissional foi o preditor mais forte da exaustão emocional. Comparação: Este resultado está de acordo com estudos anteriores em contextos de teletrabalho (Autor, 2020; Autor, 2022). Explicação: Uma explicação possível é a redução do apoio informal entre colegas, que nestes contextos funciona como recurso protetor. Nuance: No entanto, ao contrário de Autor (2021), não se encontrou relação com a idade, o que pode refletir as características da amostra.

(Exemplo ilustrativo.)

Linguagem: nem de mais nem de menos

Usa verbos proporcionais à força da evidência:

  • Evidência forte, desenho adequado: "os resultados mostram…".
  • Associação, sem causalidade: "os resultados sugerem…", "está associado a…".
  • Interpretação tua: "uma explicação possível é…", "é plausível que…".

Evita "prova", "demonstra definitivamente" e generalizações para além da amostra.

Limitações

Todos os estudos as têm. Apresentá-las bem mostra rigor:

  • descreve a limitação (amostra de conveniência, dados autorreportados, desenho transversal…);
  • explica o impacto nos resultados;
  • sugere como um estudo futuro a pode ultrapassar.

Erros frequentes

  • Repetir os resultados sem os interpretar.
  • Ignorar resultados que não confirmam as hipóteses.
  • Introduzir literatura nova que não estava na revisão (sem necessidade).
  • Concluir causalidade a partir de correlações.
  • Limitações listadas sem explicação, ou escondidas.

Ligações úteis

Como a OrientIA ajuda

Na OrientIA, o Orientador IA lê os teus resultados e a tua revisão da literatura e ajuda-te a ligar uma coisa à outra: aponta resultados que ficaram por discutir, afirmações mais fortes do que os dados permitem e comparações com estudos da tua biblioteca — sempre com as citações verificadas. No nível Profundo, faz uma revisão crítica mais exigente da discussão.

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