Investigação e método

Como fazer uma revisão da literatura (passo a passo)

Como pesquisar, selecionar, organizar e escrever a revisão da literatura de uma dissertação ou tese, com exemplos de síntese e os erros mais comuns.

Equipa OrientIA · 3 min de leitura · Atualizado a 1 de outubro de 2026

A revisão da literatura é o capítulo que mais assusta — e o que mais tempo consome. Não é um resumo de tudo o que leste: é um argumento organizado que mostra o que já se sabe sobre o teu tema, onde há divergências e que lacuna justifica o teu estudo. Este guia explica como a fazer, do primeiro artigo ao texto final.

Para que serve

Uma boa revisão da literatura:

  • mostra que conheces os conceitos, teorias e estudos principais da área;
  • compara e critica esses estudos, em vez de os listar;
  • identifica uma lacuna — algo pouco estudado, contraditório ou estudado noutro contexto;
  • justifica a tua pergunta de investigação e prepara a metodologia.

Narrativa ou sistemática?

  • Revisão narrativa (ou tradicional): a mais comum em dissertações e projetos. Selecionas e organizas a literatura relevante, com critério, mas sem um protocolo formal.
  • Revisão sistemática: segue um protocolo explícito (pergunta definida, bases de dados, palavras-chave, critérios de inclusão e exclusão, registo do processo, muitas vezes segundo as diretrizes PRISMA). Exige mais tempo e pode ser o próprio estudo.

Para a maioria das dissertações, uma revisão narrativa rigorosa é suficiente. Se a tua área ou o teu orientador pedirem uma revisão sistemática, planeia-a desde o início.

Passo a passo

1. Parte da pergunta

Antes de pesquisar, escreve a tua pergunta de investigação (mesmo provisória) e os conceitos-chave que a compõem. São esses conceitos que vão orientar a pesquisa. Ver Como formular uma pergunta de investigação.

2. Pesquisa nos sítios certos

Usa bases científicas: Google Scholar, Scopus, Web of Science, as bases da tua biblioteca (b-on, em Portugal), repositórios como o RCAAP, e bases de cada área (PubMed, PsycINFO, IEEE Xplore, ERIC…). Combina palavras-chave em português e inglês e usa operadores (AND, OR, aspas para expressões exatas).

3. Seleciona com critério

Lê primeiro título e resumo. Prioriza:

  • artigos com revisão por pares e livros académicos;
  • revisões recentes (dão-te o mapa da área);
  • os estudos mais citados (os "clássicos");
  • estudos próximos do teu contexto e método.

A partir de um bom artigo, explora as referências que ele cita e os trabalhos que o citam depois — é a forma mais rápida de mapear um tema.

4. Lê e toma notas estruturadas

Para cada fonte, regista: objetivo, método, amostra ou contexto, resultados principais, limitações e a relevância para o teu trabalho. Guarda logo a referência completa, com DOI quando existir.

5. Organiza por temas

Agrupa as fontes por conceitos, debates ou abordagens — não por autor nem por ano. Uma estrutura comum é ir do geral para o específico: o contexto amplo, os conceitos centrais, os estudos sobre a relação que te interessa e, por fim, a lacuna.

6. Escreve a sintetizar

Cada parágrafo deve ter uma ideia, sustentada por vários autores, e não um autor por parágrafo. Compara:

Vários estudos associam X a Y (Autor, 2019; Autor, 2021), mas a maioria usou amostras de estudantes universitários; os resultados com trabalhadores são escassos e contraditórios (Autor, 2020).

Termina cada secção com uma pequena síntese e o capítulo com a lacuna que o teu estudo vai explorar.

Quantas referências?

Não há um número certo — depende da área, do grau e do tema. Mais importante do que a quantidade é que as fontes sejam relevantes, atuais e científicas, e que cites com rigor. Ver Normas APA 7.

Erros frequentes

  • "Fulano diz…, Sicrano diz…": resumos em fila, sem comparação.
  • Fontes não académicas (blogues, sites genéricos) como base.
  • Citações em segunda mão sem o indicar ("citado por").
  • Copiar frases dos artigos com pequenas mudanças.
  • Rever literatura que não tem ligação à pergunta.
  • Não atualizar a revisão quando a pergunta muda.

Como a OrientIA ajuda

Na OrientIA pesquisas no Crossref, Semantic Scholar e arXiv sem sair da plataforma, juntas os trabalhos à biblioteca com um clique e cada PDF ganha uma ficha de leitura (objetivo, método, resultados, limitações). O Orientador IA ajuda-te a mapear o estado da arte e a organizar os temas, e só cita trabalhos da tua biblioteca ou encontrados nas bases científicas — com as citações e os DOIs verificados automaticamente.

Outros guias